O sistema braille, 200 anos depois de Louis Braille

domingo, 27 de outubro de 2013

M. T. von Paradis (15 de maio de 1759 - 1 de fevereiro de 1824)

Maria Theresia von Paradis foi uma mulher que teve uma significativa influência em Valentin Haüy e nos seus métodos de ensino. Conheceram-se em Paris em 1785, quando Paradis se encontrava em digressão pela Europa em concerto. Weygand (1998) diz que Haüy ao ler num artigo de um jornal Parisiense a notícia de que a criança prodígio, cega, de seu nome Maria Theresia von Paradis se encontrava na cidade para atuar, decidiu entrar em contacto com ela.

Maria Theresia von Paradis nasceu em Viena e ficou cega aos 4 anos de idade (Jantsch 1955, Eriksson, 1998). Jantsch sugere que a cegueira da menina teve origens histéricas. O seu pai era um advogado de sucesso bem formado. Maria Theresia era extremamente musical e tornou-se uma virtuosa do piano; teve a sua própria escola em Viena onde ensinou piano e canto. Entre 1784 e 1785, viajou por toda a Europa, tocando nas cortes de Paris, Londres, Bruxelas, Hanover e Berlim, e deu concertos em muitas outras cidades. Mozart chegou mesmo a compor um concerto para piano e orquestra [1] especialmente para a sua digressão Europeia e von Paradis escrevia também as suas próprias músicas, usando um sistema de notação musical que ela própria inventou.

Antes de von Paradis partir para a sua grande digressão pela Europa, construiu os seus próprios mapas em relevo dos diferentes países e cidades que ia visitar. Nesses mapas, as fronteiras e os rios foram bordados em pesponto, ao passo que as cidades e as vilas foram representadas por botões de diferentes tamanhos; botões grandes para as capitais, botões pequenos para as cidades mais pequenas ou vilas. Von Paradis chegou a imprimir texto em relevo; foi feita uma prensa especialmente para ela imprimir por Wolfgang Ritter von Kempelen (Jantsch 1955).

Von Paradis correspondeu-se com Johan Ludwig Weissenburg, também ele cego e também ele utilizador de mapas e escrita em relevo. As suas cartas mostram que discutiam entre eles como fazer mapas em relevo e que tipo de relevos se deveria usar nas imagens. Para os cálculos matemáticos, Paradis usava um quadro aritmético feito em Inglaterra por Saunderson.

O encontro de Haüy com Maria Theresia von Paradis deu-lhe a inspiração e o encorajamento que ele desesperadamente precisava nesse tempo para desenvolver um programa educacional para crianças cegas (Eriksson 1998, Didier-Weygand 2000). Apresentou o seu plano, "Plan de l'Education à l'Usage des Aveugles,” à Sociedade Filantrópica, a qual nesta altura patrocinou doze crianças provenientes de famílias pobres (Weygand 1998).

Uma curiosidade que nos chega até à atualidade: Sicilienne (piano solo) | Sicilienne (violino e piano) | Sicilienne (violoncelo e piano) | Sicilienne (flauta e piano), música composta por M.T. von Paradis.

Referências:

Beatrice Christensen-Sköld. (??). Valentin Haüy: the father of the education for the blind. Swedish Library of Talking Books and Braille.

[1] Concerto para Piano No. 18 em B bemol maior.
Maria Theresia von Paradis. Wikipedia.

Bibliografia a explorar: Zina Weygand. (2003). The Blind in French Society from the Middle Ages to the Century of Louis Braille. Tradução para inglês em 2009.

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