O sistema braille, 200 anos depois de Louis Braille

sábado, 11 de maio de 2013

170 anos depois, a escrita braille manual tem novo instrumento: chama-se Pauta Positiva. A investigação e o produto "fala" português e vem do Brasil.

Diagrama com desenhos de pormenor da Pauta positiva e do punção negativo

Quando aprendi braille, na década de 80, o método de ensino e aprendizagem do sistema braille já se baseava muito na escrita braille com a máquina Perkins. Mas claro, o preço elevado da máquina fazia com que esse método ficasse reservado para a escola: inicialmente na escola Feliciano Castilho e depois no centro Nossa Senhora dos Anjos. Mas havia um instrumento, altamente portátil, que cabia no bolso da camisa e que permitia tirar apontamentos em braille de forma manual. A pauta braille e o punção foi um dos instrumentos que na época comprei para escrever essencialmente na fita dymo, muito útil para fazer umas quantas etiquetas. Sim, porque escrever uma folha A4 com pauta e punção era para o meu amigo Salgado Baptista a quem vi escrever a uma velocidade supersónica em algumas reuniões. Ficava admirado com a sua destreza, pois escrever braille em espelho é uma tarefa nada fácil. Era essa dificuldade adicional que nos levava a nós, mais jovens, a abandonar facilmente a pauta e o punção.

Hoje, ao passear pelo FaceBook, vi uma anotação da Marta Gil (Brasil), que nos dava conta de uma investigação que envolve a pauta braille (reglete braille, em português do Brasil) [1]. Achei lindo e notável que uma investigadora, 170 anos depois da invenção da pauta e do punção, dedique 6 anos a pensar na forma de melhorar este método de escrita braille. Aline Picolli Otalara, bióloga, investiga a pauta e o punção desde 2007. Parece uma história, digna das fabulas de Wall Disney.

A pauta e o punção de Aline, designada de Pauta Positiva permite escrever manualmente numa folha de papel sem necessidade de pensar o braille em forma de espelho. Desta forma, a pauta em vez de possuir uma matriz concava da célula braille tem uma matriz convexa da célula braille. O punção, em vez de um bico convexo, passa a ter um bico concavo. Esta diferença - um verdadeiro ovo de colombo - permite escrever, em pauta, o braille sem necessidade de o pensar em forma de espelho. Segundo os estudos de Aline, isto permite aumentar a curva de aprendizagem da escrita braille em 60%. Um dos dados que também achei curioso nas análises de Otalara é o facto de, no Brasil, atualmente existirem mais professores "normovisuais" a aprender braille do que utilizadores cegos. Não sei, mas parece-me um indicador de que o sistema braille pode ter um futuro fantástico na literacia das pessoas cegas.

A pauta positiva e o respetivo punção já estão disponíveis para aquisição na empresa TECE.

Este mesmo método está a ser estudado para ser aplicado a máquinas de escrever braille.


Referências:

[1] Novo instrumento reduz tempo de aprendizado de braille.

Índice:

Notícias sobre braille

Estratégias e Políticas

Os códigos braille

Autoridades braille

História do sistema braille e das suas personagens

Braille no século 21

Referências sobre Deficiência da Visão

Outras referências

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